TV Estadão 29.11.2010
Apesar de otimista, presidente da construtora diz que tem dúvidas em relação à continuidade das linhas de crédito e à capacidade de entrega das empresas do setor. Reportagem Letícia Bragaglia.
Apesar de otimista, presidente da construtora diz que tem dúvidas em relação à continuidade das linhas de crédito e à capacidade de entrega das empresas do setor. Reportagem Letícia Bragaglia.
Arquiteta investe no mercado imobiliário e na venda de móveis e objetos de decoração, de olho no interesse cada vez maior do brasileiro pelo design.
"Reserve já o seu apartamento no Real Park Residence, condomínio clube próximo do Unique Shopping, com três quartos, duas vagas e academia", diz o anúncio de um prédio neoclássico, com andares a perder de vista. Seria mais um entre tantos folhetos distribuídos nos semáforos de São Paulo ou do Rio, não fosse a propaganda de um edifício em Parauapebas, no Pará, um município a 700 km de Belém e que há duas décadas não passava de uma grande mata.
Quem considera que "boom imobiliário" é uma expressão recorrente apenas nas grandes metrópoles brasileiras nunca esteve em Parauapebas ou em municípios como Ariquemes, em Roraima, ou Marabá, no Pará. Um recorte inédito do Censo Demográfico 2010 feito pelo Estado mostra que a verticalização se espalhou pelo País e cidades pequenas e médias são hoje os principais motores dessa tendência.
Nos últimos dez anos, o número de apartamentos da Região Norte cresceu em um ritmo 3,5 vezes maior que no restante do Brasil – que tem hoje 6,2 milhões de apartamentos, um número 43,2% maior do que em 2000.
Hoje, 1 em cada 10 brasileiros mora em prédios. A proporção ainda é duas vezes menor no Norte, mas o crescimento em locais como Rondônia, Amapá e Tocantins foi sem precedentes. Nesses Estados, os apartamentos se multiplicaram por sete e cresceram proporcionalmente 15 vezes mais que em São Paulo. Entre as explicações, estão o aumento da renda, do emprego e do crédito. Morar em prédios também se transformou em status, símbolo de prosperidade. Além disso, a falta de terrenos nas grandes metrópoles levou o mercado imobiliário a novos endereços. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
O mercado imobiliário da cidade de São Paulo recuperou-se, no terceiro trimestre, segundo o sindicato da habitação (Secovi). As vendas cresceram 44,9% entre agosto e setembro, a oferta de recursos é satisfatória e a maioria das empresas mantém os planos de investimento, deixando para trás os maus presságios do primeiro semestre.
Foram comercializadas, em setembro, 3.237 unidades, 16,2% mais do que em setembro de 2010, e a velocidade das vendas atingiu 18,7%, a maior do ano (média de cinco meses entre o lançamento e a comercialização). Ante um aumento mais moderado dos preços e com algumas construtoras promovendo "feirões" de imóveis com descontos, muita gente aproveitou esse momento propício para comprar a casa própria.
Foi revertido o período de queda do primeiro quadrimestre: na comparação entre os primeiros trimestres de 2010 e 2011, a queda das vendas foi próxima de 50%, caindo para 31,3%, em junho; 28,6%, em julho; 23,8%, em agosto; e 19,2%, em setembro.
Em setembro, o volume de lançamentos na cidade de São Paulo foi pequeno (2.739 unidades). O estoque de imóveis prontos e não comercializados aumentou de 12 mil, no início do ano, para 14 mil, em setembro. Ainda assim, o mercado de imóveis da capital supera o da região metropolitana de São Paulo (RMSP).
Nas 39 cidades que compõem a RMSP, foram vendidas 4.440 unidades, em setembro, 12,5% menos do que em agosto e 6% abaixo de setembro de 2010. Os resultados mais fracos da área metropolitana podem ser explicados, em parte, pelo recrudescimento inflacionário, que, nas famílias de menor renda, reduziu a parcela disponível para a casa própria.
O movimento de vendas foi favorecido pela oferta satisfatória de crédito: o número de financiamentos com recursos das cadernetas de poupança cresceu mais de 20%, entre os primeiros nove meses de 2010 e de 2011, e o volume de crédito aumentou quase 50%. A segunda fonte mais importante do crédito imobiliário, o FGTS, mostrou bom movimento também. O recrudescimento da crise mundial tem impacto negativo para todos os mercados, mas no setor imobiliário as condições continuam favoráveis à compra, pois a oferta de empregos é satisfatória e o rendimento real dos trabalhadores cresceu. Ademais, os prazos de financiamento são mais dilatados. A perspectiva de estabilização dos preços dos imóveis é o melhor cenário, pois, numa conjuntura mais difícil, os compradores procurarão não comprometer excessivamente sua renda.

Comprar apartamento na capital com desconto. Essa é a nova realidade do mercado imobiliário paulistano, que já apresenta sinais de desaquecimento. No ano passado, de 100 unidades colocadas à venda, 23 eram tinham comprador no período de um mês, segundo o Sindicato da Habitação de São Paulo (Secovi-SP). Atualmente, 16 são comercializadas. O cenário impulsiona os descontos oferecidos pelas construtoras na compra de imóveis na cidade, que podem chegar a 36%.
Claudio Tavares de Alencar, professor do núcleo que analisa o mercado imobiliário da Escola Politécnica da USP aponta o motivo dos descontos. “A empresa vende menos e acaba ficando com unidades encalhadas e é comum que faça promoções temporárias. É uma oportunidade para o comprador, que tem, porém, de analisar se os custos com impostos e condomínio compensam.”
Para Flávio Prando, vice-presidente de habitação Secovi, o que motiva as promoções é o fato de as construtoras terem ações na Bolsa de Valores e metas para cumprir. “As metas são do final do ano passado, e o cenário mudou.”
Ofertas – A Even realiza a promoção Mega Sonho. São 30 empreendimentos em diversas regiões. Entre as opções, em construção ou prontas para morar, um apartamento na Mooca, na zona leste da capital, anunciado por R$ 349,1 mil, foi vendido por R$ 266 mil, uma diferença de 30%. Essas unidades já esgotaram.
Outra empresa que oferece preços menores é a Gafisa, que liquida unidades remanescentes de 20 empreendimentos na Grande São Paulo, cobrando o preço do metro quadrado de até quatro anos atrás. O preço do metro quadrado de um apartamento pronto para morar no Campo Limpo, que hoje gira em torno de R$ 4,1 mil, é vendido por R$ 2,9 mil, se aproximando do cobrado no final de 2009. “O estoque tem um custo para o incorporador. Não é interessante manter unidades na prateleira. O negócio é desovar”, afirma Érika Fugiwara, gerente nacional de marketing da Gafisa.
As unidades, porém, são limitadas. “São duas a sete unidades em promoção em cada empreendimento. Todos os anos temos campanhas como esta, mas nenhuma foi tão agressiva. Como os preços dos imóveis subiram muito, talvez quem perdeu a oportunidade de comprar há alguns anos consiga fazer isso agora”, diz Érika.
Até o final do mês, quem adquirir um imóvel participante da promoção “13º em dobro” da MRV receberá o valor da renda comprovada, até o limite de R$ 3 mil reais, em desconto.
“A maioria dos imóveis que participam destas campanhas têm valor maior ou estão localizados em andares mais baixos. Atualmente, unidades mais baratas com descontos são menos comuns. Isso porque o mercado ainda está aquecido, pois o crédito continua farto”, diz Prando, do Secovi.
Apartamentos pequenos ganham a preferência dos moradores que trocam espaço de sobra pela comodidade de morar perto do trabalho comodidade de morar perto do trabalho
Área de lazer a 42 metros do chão: atrativos como estes vem sendo usados para promover os salgados apartamentos compactos lançados em São Paulo
São Paulo – Em grandes centros como São Paulo, passar horas no trânsito no trajeto de casa para o trabalho costuma ser comum. De olho no público que deseja livra-se do stress e das horas perdidas, as construturas vêm lançando cada vez mais apartamentos de pequeno porte, muitas vezes limitados a 35m².
"O morador que procura um apartamento com essa tipologia procura estar em um lugar central, onde possa ter acesso a uma gama de serviços e restaurantes", diz Ricardo Grimone, diretor de incorporação da Even. "O empreendimento também deve oferecer uma área de lazer muito completa para compensar a falta de espaço em casa", completa.
Tanta comodidade tem preço. De um lado, a construção de inúmeras áreas de uso comum, como lavanderia, piscina, espaço gourmet, brinquedoteca e academia, eleva o preço do metro quadrado para as alturas. Além disso, como a demanda por estes imóveis costuma ser alta – já que o preço do aluguel é acessível a mais compradores quando comparado com o valor cobrado por apartamentos maiores – a valorização sofrida ao longo do tempo também é expressiva.
Segundo o índice FipeZap, imóveis de apenas um dormitório em São Paulo ficaram 128% mais caros de janeiro de 2008 a setembro deste ano, o maior aumento registrado entre todos os segmentos. No mesmo período, os apartamentos com quatro ou mais quartos subiram 81%.
Confira no programa Imóveis em 360 graus como são e o que oferecem os apartamentos compactos que vêm conquistando o público paulistano:
Reportagem de Olívia Freitas
Depois do superaquecimento, o mercado imobiliário dá sinais de que está colocando o pé no freio.
Em São Paulo, as vendas de imóveis novos caíram cerca de 30% no primeiro semestre. Sinal de que potenciais compradores começaram a recusar os altos preços que dispararam nos últimos anos.
Eventos esportivos fazem com que as capitais, escolhidas como sede do mundial no país, invistam em infraestrutura e melhorias. Isso atrai novos compradores de imóveis.
Copa do Mundo, Jogos olímpicos. Eventos esportivos também mexem com o mercado imobiliário brasileiro, mas a crise mundial também. Advogado e empresário, Wesley José Ferreira, pisou em Cuiabá, pela primeira vez, em 1998. Nasceu no interior de São Paulo, mas decidiu que seguiria a carreira de advogado na capital de Mato Grosso.
“Nós viemos pra cá juntamente com o desenvolvimento do estado, aprimoramento do agronegócio, nós viemos trabalhar. Cheguei com R$ 600 emprestados no estado”, fala o advogado.
Em duas semanas, estava trabalhando. Em um mês, pagou sua dívida. Treze anos depois, Wesley não tem do que reclamar. “Dificilmente se eu tivesse ficado no interior de São Paulo eu teria experimentado esse crescimento que experimentamos aqui”, fala Wesley.
O que puxou a economia no Centro-Oeste foi a forte expansão do agronegócio. Em 20 anos, a produção na região só faz aumentar. Na safra dos anos 90 e 91, foram 13 milhões de toneladas produzidas. A previsão para a safra deste ano é de 55 milhões: cinco vezes mais.
“As pessoas vieram para abrir a fronteira agrícola e hoje esses migrantes já estão em outro estágio econômico e até de vida e obviamente isso repercute no mercado imobiliário”, diz o dono de construtora, Júlio César.
Neste momento, 63 prédios e 19 condomínios de casas estão sendo construídos em Cuiabá. O advogado Wesley não deixou a oportunidade escapar. Virou empresário, comprou duas construtoras e não se arrepende.
“Até me sinto confortável para dizer, eu ganho mais dinheiro hoje com a construção civil”.
A região Centro-Oeste não para de crescer e isso mexe com o mercado imobiliário do local. Há vários motivos para isso. Em Mato Grosso um dos principais é a Copa de 2014. Cuiabá foi escolhida uma das sedes do mundial e é claro que todo turista que for para a cidade vai querer conhecer a paisagem da Chapada dos Guimarães, que fica apenas a 60 quilômetros de Cuiabá.
“Vamos receber aproximadamente até a Copa de 2014 de investimento de Governo Federal e do governo estadual aproximadamente quase R$ 50 milhões em investimentos. Tenho certeza que chapada vai ser outra chapada depois desse grande evento”, diz o vice-prefeito da Chapada dos Guimarães, Elias Santos.
As mudanças estão na cara. Muitas obras de infraestrutura já começaram a ser feitas. A estimativa é dobrar o número de visitantes no ano da Copa. A prefeitura acredita que vai receber 250 mil turistas.
“A Copa realmente foi um benefício muito grande para o município de Chapada dos Guimarães”, afirma o vice-prefeito.
O Rio de Janeiro também está bem no jogo. Um prédio que fica na zona oeste do Rio, região que vai receber muitos investimentos para os jogos olímpicos, fica na frente onde vai passar a Transoeste, uma das três importantes obras viárias para melhorar o trânsito na cidade durante esses eventos esportivos.
O morador do local ainda pode ter a sorte de ver uma delegação de atletas passando embaixo da janela dele. Conclusão: todos os apartamentos já foram vendidos.
Manaus também será uma das sedes da Copa de 2014 e parece uma cidade em reforma. São obras de infraestrutura, mobilidade urbana, saneamento.
Os empresários da região aproveitam o momento. “Tudo isso acaba possibilitando também o lançamento dos empreendimentos, nessas áreas das cidades onde gozam dessa infraestrutura”, diz Newton Veras, da comissão de indústria mobiliária do Sinduscom.
O Brasil tem cada vez menos casas e mais prédios, é um país que está se verticalizando. Hoje, um em cada dez brasileiros mora num apartamento e Porto Alegre é um exemplo disso. É muito comum ver na cidade casas sendo demolidas para dar lugar a edifícios.
“Sou a favor da verticalização e sou a favor da determinação de algumas áreas que isso não pode acontecer. Existem aqueles que não querem prédios altos, quando a verticalização, ou seja, fazer prédio de 10, 15 e 20 andares traz uma economia enorme”, declara o presidente do Secovi-RS, Moacir Schukster.
Com tanta gente querendo comprar, o que deve acontecer com o preço dos imóveis?
“Não vejo nenhuma razão para que haja mais crescimento exagerado de preço”, explica o presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção, Paulo Safady Simão.
“Os preços já estão estáveis hoje, em média eu te diria que os preços já chegaram ao seu patamar. Os próximos 10 anos eu acho que vai ter uma tendência de estabilização dos preços”, fala o presidente do Secovi-SP, João Crestana.
Mas será que a atual crise mundial não pode mudar o jogo? “Vai crescer um pouco menos para depois voltar a se acelerar. Então é mais algo momentâneo do que uma tendência nova que apareceu no mercado imobiliário. Os preços não vão despencar. Esses preços estabilizaram e devem continuar a subir quando o mercado ficar mais tranquilo no ano que vem”, afirma o economista-chefe da MB Associados, Sérgio Vale.
A super valorização dos últimos anos trouxe muitas conseqüências ao mercado imobiliário brasileiro.
Começa a ser construído nesta quarta-feira (17) em São Paulo o Trecho Leste do Rodoanel, que ligará o Trecho Sul às rodovias SP-066, Ayrton Senna e Presidente Dutra. As obras serão realizadas pela concessionária SPMAR, e começam em Mauá, no ABC. O Trecho Leste do Rodoanel terá 43,8 km passará pelas cidades de Arujá, Itaquaquecetuba, Mauá, Poá, Ribeirão Pires e Suzano.
A primeira parte do anel viária a ficar pronta foi o Trecho Oeste, com 29 km, inaugurado em outubro de 2002. Ele liga a Avenida Raimundo Pereira de Magalhães, na região de Perus, Zona Norte de São Paulo, à Rodovia Régis Bittencourt.
O Trecho Sul foi inaugurado em 1º de abril de 2010. São 57 km de extensão – mais 4,3 km de prolongamento até a Avenida Papa João XXIII, saindo da Rodovia Régis Bittencourt e passando pelas rodovias Anchieta e dos Imigrantes.
Já o Trecho Norte ainda está em processo de obtenção de licenças. Ele terá 42,8 km de extensão e ligará o Trecho Sul, a partir da Avenida Raimundo Pereira de Magalhães, ao Trecho Leste, na Rodovia Presidente Dutra.
Muito já se ouviu sobre o superaquecimento do mercado imobiliário brasileiro. Mas quais são os verdadeiros motivos desse crescimento? Por que o preço dos imóveis subiu tanto nos últimos anos?
Christiane Pelajo viajou por várias cidades brasileiras para tentar responder essas perguntas. A primeira reportagem da série ‘Em Obras’ mostra que o Brasil é um país em reforma.
“Nós criamos verdadeiros bairros, remodelamos bairros, isso é muito bom pras cidades”, diz o presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção, Paulo Safady Simão.
Em Porto Alegre, até 2006, o bairro Jardim Europa não existia. Hoje, há quase mil imóveis em volta de um parque.
No setor noroeste, em Brasília, há 20 prédios sendo construídos neste momento. Até o começo do ano passado, o local era um grande cerrado.
Em Pouso Alegre, sul de Minas, um bairro novo foi criado há menos de cinco anos. Os terrenos custavam R$ 20 mil. Hoje, são vendidos por R$ 80 mil.
O mercado imobiliário vive desde 2008, um período de euforia, sem paralelo, na sua história.
“Acho que muito mais do que um boom, foi uma recuperação, nós vivemos na década de 90 uma total aversão aos imóveis. Era muito melhor manter seu recurso no banco rendendo dinheiro, havia muita inflação”, fala o presidente do Secovi- SP, João Crestana.
“Vieram para o mercado milhões e milhões de brasileiros que até então não tinham a menor condição de acessar o mercado, os produtos ficaram muito mais adequados ao bolso, enfim, houve uma revolução”, conta Paulo Safady Simão.
Nos últimos anos, o brasileiro se acostumou a ver perto de casa, perto do trabalho, verdadeiros canteiros de obra. Mas por que houve um crescimento tão grande no nosso mercado imobiliário? Os motores desse mercado são velhos conhecidos: mais crédito, mais renda e mais confiança.
Com a estabilidade da nossa economia, o vendedor Cauê viu sua renda aumentar 60% nos últimos dois anos. Com o salário mais alto, Cauê teve acesso ao crédito. Pegou um financiamento para comprar sua primeira casa própria. Ele e muitos brasileiros. O crédito imobiliário bateu recorde no primeiro semestre deste ano: R$ 37 bilhões. Alta de 55% em relação ao mesmo período de 2010.
Prédio pronto, apartamento entregue, mas ainda faltam alguns acabamentos, pouca coisa. O Cauê, a Mariana e o Pedro se mudam daqui a 15 dias. “Há pelo menos quatro anos a gente já está com a ideia de comprar a casa própria”.
São 16% os brasileiros que vivem em imóveis alugados. Mas o número de quem mora em casa própria vem crescendo. Hoje chega a 70% — são 133 milhões de pessoas.
O número pode parecer alto demais, mas tem explicação: alguns brasileiros moram em imóvel próprio, mas em terrenos irregulares. Além disso, há famílias que vivem juntas. Como o corretor de imóveis, Marcel Cardoso Correia, e a assistente de recursos humanos, Simone Rocha Silva, que dividem a casa dos pais dele com o Fábio, o cunhado.
Apesar de não ter um apartamento, nas estatísticas, o casal está entre os 70% de brasileiros com imóvel próprio. É o que se chama de co-habitação.
“Você tem quase cinco milhões de pessoas que moram em co-habitação e que não querem morar nessa situação, é uma casa própria, mas não é dele”, fala o coordenador do Centro de Pesquisas da FGV-RJ, Marcelo Neri.
Eles falam do desejo de se mudar. “Porque é algo que é nosso. A gente tem a estabilidade de não precisar pagar aluguel, a gente tem aqui as contas a serem pagas, mas porem é algo que é nosso, pode chamar de meu”, avisa o corretor de imóveis, Marcelo Cardoso Correia.
Muita gente querendo comprar, os preços dos imóveis aumentam. Eles subiram, nos últimos 12 meses, 43% no Rio de Janeiro, 27% em Belo Horizonte, 29% em São Paulo e 15% em Fortaleza.
“As pessoas começaram a procurar mais, a demanda era muito grande por imóvel, então aí você tem um ajuste nos preços dos imóveis”, fala Luis França, da Abecip.
“Você tem muita gente para entrar na classe média nos próximos anos. Podem entrar mais 20 milhões nos próximos oito anos, então tem muita gente para entrar no mercado de trabalho e é justamente esse pessoal que vai ter potencial de comprar seu primeiro imóvel, de trocar seu imóvel”, diz economista-chefe da MB Associados, Sérgio Vale.
“Você vai precisar de mais casas, não só porque a população está crescendo, mas porque as famílias estão menores. Então a demografia conspira a favor de uma maior demanda por casa”, explica Marcelo Neri.
Marcel e Simone. Cauê e Mariana. Os dois casais têm o perfil do comprador de imóveis. “Entre 20 e 30 anos, R$ 3 mil homem e R$ 3 mil a mulher, é essa a família que compra hoje”, fala João Crestana.
O que esses jovens mais compram são apartamentos de dois quartos. Como eles conseguem?
O empurrão veio do crédito e do financiamento — palavras que até pouco tempo mal faziam parte da vida do brasileiro.
A MZM Construtora lançará neste ano o maior empreendimento imobiliário do ABC. O investimento, 100% da construtora, será de R$ 300 milhões. “Este é um dos maiores investimentos de uma empresa com sede no ABC e capital fechado na região”, afirma o sócio e fundador da MZM Construtora, Francisco Diogo Magnani, que destaca ainda a valorização da região em função do empreendimento. “O empreendimento deve triplicar o valor dos imóveis estabelecidos ao redor do local”.
O VGV (Valor Geral de Venda) esperado para o empreendimento será entre R$ 500 e R$ 600 milhões de reais. O lançamento será entre os meses de setembro e outubro deste ano.
A MZM adquiriu uma área de 55.939 m2 para realizar o lançamento de um conjunto de prédios residenciais na Avenida Industrial, bairro Jardim, na região nobre de Santo André – SP. Uma antiga fábrica instalada no local será demolida amanhã (22/06). O empreendimento residencial será formado por 4 condomínios constituído por 3 torres de apartamentos com metragem média entre 55 m2 e 75 m2 , que totalizam 12 torres e 2016 unidades.
Sobre a MZM Construtora
Com quase dois milhões de metros quadrados de empreendimentos comercializados em 15 anos de história, a MZM Construtora se firmou como líder do mercado imobiliário no ABC paulista. Foi a primeira construtora a vender unidades com preço fechado e lançou tendências na região como, por exemplo, o primeiro empreendimento com conceito de club house no ABC. Constam ainda no portifólio da MZM projetos corporativos sob encomenda como agências bancárias, supermercados, shopping centers, escolas, obras de órgãos públicos, centros de cultura e de lazer.
Sempre bom lembrar a importância do público-alvo quando estamos negociando ou planejando uma estratégia de comunicação para o nosso negócio, e isso se se aplica também ao mercado imobiliário.
Neste vídeo, podemos notar a importância da mulher neste setor, tanto no poder de decisão de compra, quanto no seu papel atuante e cada vez mais crescente neste mercado.
as corretoras da empresa APARECIDO VIANA falam sobre as estratégias de abordagem e o perfil deste publico especifico.
Voltado para a classe média, Residencial Conquista Praça da Moça tem como destaque a ótima localização
No dia 18 de junho, a MZM Construtora iniciará as vendas de seu novo empreendimento em Diadema. O Residencial Conquista Praça da Moça terá 272 unidades de dois e três dormitórios, com 66m2 e 80m2 respectivamente, e está localizado no centro, em uma das mais prósperas e arborizadas regiões da cidade.
Voltado para a classe média, o empreendimento tem como destaque a ótima localização e os projetos arquitetônico e paisagístico assinados por Irineu Anselmo Junior e Martha Gavião, dois reconhecidos profissionais do mercado imobiliário.
“Em todo projeto, busco avaliar a real necessidade dos moradores. No caso do Residencial Conquista Praça da Moça, o projeto paisagístico privilegia o convívio familiar e o espaço para a diversão das crianças”, destaca Martha.
A área de lazer reflete a vocação familiar do Residencial Conquista Praça da Moça. No projeto constam espaço família com redário, brinquedos artesanais de madeira reciclada, churrasqueiras e fornos de pizzas, piscina adulto e infantil, playground, salão de festas, salão de jogos, espaço gourmet, sala de dança e ginástica e muito mais.
Os futuros moradores estarão próximos do Shopping Praça da Moça e do Terminal Diadema. Terão ainda à disposição bancos, hipermercados, escolas e demais estabelecimentos comerciais.
Segundo o presidente e fundador da MZM Construtora, Francisco Diogo Magnani, Diadema se destaca na região e tem atraído novos investimentos. “Sempre acreditamos no potencial da cidade. Além de um pólo comercial, Diadema agora é reconhecida como um ótimo local para se viver”.
O presidente da MZM afirma também que o Residencial Conquista Praça da Moça será mais um sucesso de vendas. “Nossa expectativa é grande. Vários empreendimentos da MZM foram totalmente vendidos no dia do lançamento, o que comprova a qualidade de nossos imóveis”, destaca Magnani.
Residencial Conquista Praça da Moça
Lançamento: 18 de junho
Local: Rua Manoel da Nóbrega, 469 – Centro – Diadema – SP
Características do empreendimento: apartamentos de 2 e 3 dormitórios
Unidades à venda: 272
Lazer: espaço família com redário, brinquedos artesanais de madeira reciclada, churrasqueiras e fornos de pizzas, piscina adulto e infantil, playground, salão de festas, salão de jogos, espaço gourmet e sala de dança e ginástica.
Sobre a MZM Construtora
Com quase dois milhões de metros quadrados de empreendimentos comercializados em 15 anos de história, a MZM Construtora se firmou como líder do mercado imobiliário no ABC paulista. Foi a primeira construtora a vender unidades com preço fechado e lançou tendências na região como, por exemplo, o primeiro empreendimento com conceito de club house no ABC. Constam ainda no portifólio da MZM projetos corporativos sob encomenda como agências bancárias, supermercados, shopping centers, escolas, obras de órgãos públicos, centros de cultura e de lazer.

Ato Z Comunicação Empresarial
Empresa ATO Z COMUNICAÇÃO EMPRESARIAL LTDA
Contato Luciano Fonseca
E-mail luciano@atozcomunicacao.com.br
Fone (11) 20924011
O mercado imobiliário no Brasil não tem do que se queixar. Facilidade de crédito, programas de subsídios federais e estabilidade econômica são alguns dos fatores que estão tornando o antes chamado "sonho da casa própria" em algo perfeitamente atingível.
Do outro lado da mesa, muita gente enxergou essa boa fase como a hora certa para abrir ou ampliar seus negócios no setor imobiliário. Com a crescente concorrência, empresas do ramo buscam diferenciais para a conquista de clientes. Para isso, o marketing e a propaganda, neste momento, podem ser considerados sim a "alma do negócio".
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Segundo o professor de Comunicação e Marketing da Faculdade Unifamma, Wilson Teixeira, a concorrência feroz do mercado imobiliário vem obrigando as empresas a apostarem em soluções inovadoras na área de marketing na busca pelos clientes.
E, hoje, isso não se resume mais a fazer campanhas de vendas, buscando liquidar todos os imóveis disponíveis em um curto espaço de tempo. Mais do que isso, na opinião do professor, as empresas devem utilizar as ferramentas comunicacionais para valorização e consolidação da imagem da empresa. Ações como essa são exigências para quem quer crescer.
"Hoje, a grande preocupação dos empresários do setor é entregar um produto que não seja mais um no mercado. Na década de 90, o máximo era colocar folders com famílias felizes estilo ‘comercial de margarina’. Isso não cola mais. A sociedade mudou, a comunicação deve acompanhar. Isso é pensamento de negócio com o foco em marketing", exemplifica Teixeira.
Divulgação 
Participação em feiras de imóveis e eventos gastronômicos também é estratégia de marketing adotada por empresas
Agências ou equipe interna
Já é comum, pelo menos entre grandes empreendedoras do ramo imobiliário, atentar-se às estratégias de marketing para auxiliar no sucesso de vendas e no desenvolvimento da empresa em médio e longo prazo.
Se não há estrutura e também recursos para se criar uma equipe interna especializada em marketing, publicidade e assessoria de imprensa, o professor e gerente afirma que o serviço prestados por agências de publicidade se torna crucial.
Na opinião de Teixeira, não há muitas fórmulas a serem seguidas. Os profissionais, que estão preparados para isso, trabalharão com o foco voltado para os resultados das campanhas de marketing.
"Estes profissionais vão mergulhar no empreendimento e vão trazer a solução sob medida, para aquele negócio. Invista um pouco mais na profissionalização da comunicação e marketing, e adicione valor ao seu produto, que, com certeza, vai colher resultados bem mais consistentes a curto, médio e longo prazo", afirma.
Panfletagem
Embora possa atingir grande público (nem sempre o desejado) com pouco investimento, a propaganda por meio de panfletagem vem caindo em desuso, porque tende a sujar a cidade. Na opinião do professor de Marketing Wilson Teixeira, isso é problema de educação e não de comunicação. "É mais fácil não fazer do que educar os cidadãos a não jogar o papel recebido nas ruas. Se bem feita, (a panfletagem) é ainda bem válida".
O mercado imobiliário me ensinou, como criativo, a buscar uma publicidade de resultados. E devo muito aos corretores que ficavam nos plantões de venda e nos lançamentos de duas grandes empresas do setor, quando, ainda bem jovem, entrava neste mundo da propaganda.
Quantos domingos, após fazer uma campanha, nas visitas aos plantões, eu aprendia onde tínhamos acertado e onde tínhamos errado. Mais de uma vez ouvi dos corretores que as pessoas que apareciam não tinham condições para comprar aquele imóvel. E que, às vezes, o anúncio trazia indicações que, ali no estande de vendas, os eventuais compradores percebiam representarem vantagens menores que as anunciadas. E o mais grave: algumas vezes, o produto anunciado não correspondia ao que o público-alvo esperava…
Tudo isto numa época em que os fatores emocionais pesavam bem mais que os racionais. Hoje, esta proporção se alterou. O comprador avalia mais, compara mais, e sempre se pergunta: “Será que este imóvel vale o que eu estou pagando por ele?”
Com o crescimento da concorrência, a competição aumentou significativamente. E ser uma agência de publicidade responsável pela comunicação de um imóvel exige muito mais do que uma ação de propaganda nos dias de hoje. A agência precisa ir além: tem de participar da adequação do produto ao que o mercado está buscando, com pesquisas sobre a região, sobre as tendências e a concorrência naquela área. Por toda a experiência que somei, acredito que uma agência, para se dedicar full time a um projeto de comunicação para o mercado imobiliário, precisa ter uma área específica voltada exclusivamente para este setor.
É por isto que a Agnelo Pacheco, minha agência, acaba de criar algo novo: um Núcleo de Inteligência Imobiliária. Por que, então, nos dedicarmos de forma mais atenta a esse setor? Porque percebemos que a publicidade imobiliária precisa renovar-se, recriar-se, adotar novas soluções, ter um melhor enquadramento nos nichos que vêm evoluindo na sociedade brasileira. É também uma forma de dar resposta às expectativas do setor, que quer novas soluções em comunicação e propaganda.
Sabemos que a indústria imobiliária vive um momento especial, com uma recente grande expansão e perspectivas muito positivas para este e para os próximos anos. Percebemos também eu vários fatores contribuem para que haja expectativas mais positivas, como o aumento do poder aquisitivo do brasileiro, a ascensão social da população – inclusive entre as pessoas que ascendem dentro de uma mesma faixa de renda -, a oferta abundante de crédito, os investimentos estrangeiros, os importantes incentivos governamentais para o setor e o provável crescimento da procura estimulada pelos grandes eventos esportivos de 2014 (Copa do Mundo) e 2016 (Olimpíadas do Rio), tudo isso somado à demanda reprimida por imóveis por causa de nosso elevado déficit habitacional.
Mesmo encarando esse cenário positivo, construtoras, incorporadoras e agentes de vendas precisam estar atentos aos diferenciais oferecidos para atrair e agradar os potenciais clientes e rentabilizar seus investimentos. É aí que entra a importância das estratégias publicitárias e de comunicação mais eficientes.
Nosso núcleo de inteligência conta com quase vinte profissionais das áreas de atendimento e planejamento, criação e mídia, com grande experiência em comunicação e publicidade imobiliária. O grupo conta também com o apoio da Central de Informações da agência para produzir e aproveitar pesquisas qualitativas feitas para as campanhas, além de usar informações vindas de estudos já desenvolvidos pelo e para o mercado imobiliário.
Nossa agência busca assim se tornar referência nesse segmento publicitário, fazendo a diferença para o mercado, com muita inovação, criatividade e objetividade. Certamente, a publicidade imobiliária mudará a partir das soluções criadas e colocadas em prática por esse novo grupo de inteligência.
(Agnelo Pacheco, publicitário, é presidente e diretor nacional de criação da Agnelo Pacheco Comunicação)
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Fonte: Folha.com
A compra de um imóvel começa pelos olhos. Belas imagens feitas de um apartamento motivam a ligação do cliente e a visita ao local, depois desse passo, o resto é negociação.
Apesar de o conselho parecer óbvio, basta fazer uma busca de unidades para locação ou para venda e encontrar pérolas da fotografia: imagens que mostram desde roupa suja espalhada pela casa a detalhes do vaso sanitário.
A Folha pediu a imobiliárias que listassem os maiores problemas das imagens que recebem de seus anunciantes e dessem dicas de como preparar as fotos para uma propaganda.
Bagunça, falta de luz e ângulos que não mostram o cômodo são os erros mais comuns.
Se o imóvel não estiver vazio, a primeira coisa a fazer é tirar objetos pessoais das vistas da câmera e dar uma geral na organização. Com poucos objetos, o destaque fica para o espaço.
Abrir todas as janelas é o segundo passo. “As pessoas gostam de viver em lugares iluminados, uma foto com a janela fechada e pouca luz torna o lugar pouco atraente”, afirma Fernando Sita, diretor-geral de vendas da Coelho da Fonseca.
A foto a ser feita de cada cômodo é aquela que melhor mostra o espaço dele como um todo. Tentar focalizar um detalhe pode criar a sensação de que o ambiente é menor do que é.
Espaço é um ponto fundamental. Fotos tiradas a partir de cima melhoram a visão da área. Nessa missão, pode ser necessário reduzir obstáculos e tirar alguns móveis da sala, por exemplo.
QUESTÃO DE GOSTO
Apostar na decoração para as fotos pode ser um ponto a favor ou contra, dependendo do gosto do cliente. Lembre-se que, a não ser que o imóvel seja entregue mobiliado, as peças que ali estão pouco importam.
O número de fotos a serem feitas vai depender dos pontos fortes da unidade, mas é interessante que não ultrapassem dez imagens.
“Tem que fazer foto da sala, da cozinha, do quarto principal. Depois disso, vai depender do que há de interessante no imóvel”, indica Marco Villela, fotógrafo especializado no mercado imobiliário há 11 anos.
Se o apartamento tiver uma vista privilegiada, esta será uma cena a destacar.
No caso de apartamentos, também é conveniente produzir fotos nas áreas de lazer: piscina, salão de festa e churrasqueira, por exemplo.
Na hora de montar a galeria, a dica de Elaine Fouto, gerente de marketing da Lello Imóveis é colocar as imagens na sequência de visita. Isto é, primeiro o hall, depois a sala de jantar e assim vai.
Confira a galeria de certos e errados em fotos de imóveis
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A valorização imobiliária expressiva em algumas regiões nobres de grandes cidades brasileiras tem gerado o receio de que uma bolha pode estar surgindo no mercado local. Nos últimos três anos, o preço de imóveis de alto padrão em algumas áreas chegou a dobrar. Em média, as famílias brasileiras precisam desembolsar, hoje, 66% mais do que há três anos para comprar um apartamento novo de quatro quartos em bairros de alto padrão, segundo levantamento do iG em oito capitais do País.
A formação de uma bolha imobiliária ocorre quando há uma elevação infundada dos preços. Essa situação foi observada no mercado americano, e culminou com a crise econômica de 2008. Neste caso, os preços sobem por excesso de crédito e especulação de investidores – compra para revender com lucro no curto prazo.
"Alta dos preços é uma recuperação de um mercado que ficou estagnado", diz João Crestana, presidente do Secovi-SP
No Brasil, o crescimento da demanda, a elevação do crédito e o aumento do número de pessoas que investem em imóveis favorecem a valorização imobiliária. Mas isso não constitui uma bolha, segundo economistas consultados pelo iG. “A alta dos preços é uma recuperação de um mercado que ficou estagnado nos últimos 20 anos, pela falta de recursos para financiamento habitacional”, afirma o presidente do Secovi-SP, João Crestana.
Apesar de uma expectativa de crescimento de 40% no volume de crédito imobiliário neste ano, o montante utilizado no Brasil é pequeno em relação ao empregado em outros países desenvolvidos.
O crédito imobiliário deve atingir 4% do Produto Interno Bruto (PIB) no País neste ano, de acordo com projeções da Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip). Em países desenvolvidos, como Estados Unidos e Inglaterra, essa relação supera 70%.
Além disso, para que um cenário de bolha fosse desenhado no País, seria necessária uma situação de desequilíbrio macroeconômico e desregulamentação financeira. Para os economistas, esse não é o caso brasileiro. “Temos um mercado seguro e regulamentado com regras rígidas”, diz Paulo Rogério Caffarelli, vice-presidente de novos negócios do Banco do Brasil.
Outro fator que afasta o perigo de bolhas é a baixa proporção do montante financiado no valor total do imóvel. A população brasileira compra casas e apartamentos com um percentual alto de desembolso à vista, se comparado ao praticado no exterior.
Cada imóvel adquirido no Brasil no primeiro semestre de 2010 recebeu, em média, 61,9% dos recursos por meio de financiamento, segundo a Abecip. “Seria um problema se os financiamentos fossem de 85% ou 90%, em prazos muito curtos”, diz Cláudio Borges, diretor da área de crédito imobiliário do Bradesco.
Força da baixa renda
A existência de um déficit habitacional de oito milhões de moradias faz com que a demanda por imóveis continue aquecida entre a população de baixa renda no Brasil. O mercado imobiliário levará anos para produzir essas unidades. Assim, não há perigo de excesso de oferta, o que poderia provocar uma redução de preços nesse segmento.
O risco de queda de preços no Brasil ocorre em um segmento muito específico, os imóveis de alta renda em bairros onde há um número grande de lançamentos. Luiz Paulo Pompeia, diretor da Empresa Brasileira de Estudos do Patrimônio (Embraesp), diz que já nota sinais de excesso de oferta de imóveis com preço entre R$ 800 mil e R$ 2 milhões em algumas localidades da região metropolitana de São Paulo, como o bairro Campo Belo. “Nos últimos seis meses, a liquidez desses apartamentos diminuiu e, depois de alguns meses, poderá até cair o preço.”
No entanto, um eventual excesso de oferta de imóveis no Brasil em bairros nobres não trará consequências graves para a economia do País, segundo os especialistas. A situação é diferente daquela vista nos Estados Unidos. Lá, a crise imobiliária foi provocada pela baixa renda, mais especificamente pela alta da concessão de crédito aos chamados clientes subprime, com alto risco de inadimplência.
“Bolha em alta renda não preocupa, pois os compradores acabam negociando e chegam a acordos para pagar”, afirma Roy Martelanc, professor de Finanças da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade (FEA) da USP.
A expectativa dos economistas é que, em vez de uma queda nos preços, o mercado chegue a uma estabilidade nos próximos anos. “A bolha é bobagem, mas pode ser que, em um determinado momento, os preços encontrem seu equilíbrio”, afirma Hiram David, presidente do Secovi-DF.
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Fontes: Imobiliárias, Consultorias e Secovi
Atraso na aprovação do Minha Casa, Minha Vida 2 e rentabilidade maior em projetos de alto padrão motivou recuo no segmento popular
O mercado imobiliário começou o ano com mais empreendimentos para as famílias de média e alta renda e menos para as classes C e D. É o que apontam os resultados prévios do primeiro trimestre divulgados pelas construtoras listadas na bolsa de valores. De sete empresas avaliadas pelo iG, cinco reduziram a participação dos empreendimentos do segmento econômico nos lançamentos.
As maiores reduções foram feitas pela PDG Realty, Gafisa e Direcional. As únicas que elevaram a proporção de projetos para a baixa renda entre os lançamentos foram a Cyrela e a Rodobens.

Vista aérea de empreendimento da Direcional, em Manaus, enquadrado no Minha Casa, Minha Vida
A Direcional Engenharia é uma das poucas empresas que atua na primeira faixa de renda do Minha Casa, Minha Vida, formada por famílias que recebem até três salários mínimos. Mas, neste ano, a empresa não lançou nenhum empreendimento para este público. O motivo é que o orçamento para novos projetos só poderá ser liberado após a aprovação da segunda fase do programa pelo Congresso. Os projetos para famílias com renda inferior a três salários mínimos são os únicos que recebem recursos da União e contemplam imóveis avaliados até R$ 52 mil.
A Direcional, geralmente, divide seus lançamentos em três partes: um terço para projetos de apartamentos avaliados até R$ 52 mil, outro para até R$ 170 mil e, por último, uma faixa que não recebe benefícios do Minha Casa, Minha Vida, de até R$ 500 mil. Sem lançar empreendimentos para as famílias com renda até três salários mínimos, a proporção de imóveis do Minha Casa, Minha Vida caiu de 77%, no quarto trimestre de 2010, para 51%, no primeiro trimestre deste ano.
“Nós já prevíamos isso no nosso planejamento”, afirma o diretor-superintendente da Direcional, Roberto Senna. A empresa pretende reforçar os lançamentos no primeiro segmento no segundo semestre para fechar o ano com, pelo menos, 60% da oferta enquadrada no Minha Casa, Minha Vida.
No grupo Gafisa, a presença da marca Tenda, que oferece imóveis de até R$ 200 mil, também foi reduzida no primeiro trimestre – de 34% para 20%. “Foi uma situação pontual”, afirma o diretor-superintendente de incorporações da Gafisa, Sandro Gambá.
Segundo ele, a empresa antecipou no ano passado lançamentos previstos para este ano, mas vai reforçar os lançamentos para a baixa renda nos próximos trimestres. A meta da Gafisa é encerrar 2011 com 35% a 36% dos novos projetos direcionados ao segmento econômico, 60% deles enquadrados no programa Minha Casa, Minha Vida.
Mais oferta no alto padrão
O mercado imobiliário viu aumentar o interesse das incorporadoras por projetos destinados às classes C e D, motivadas por incentivos oferecidos pelo governo dentro do programa habitacional Minha Casa, Minha Vida, lançado em abril de 2009.
Dois anos após o lançamento do programa, a tendência é que as construtoras intensifiquem os lançamentos para o público de alta renda e para pessoas de classe média baixa com renda familiar pouco acima do teto do Minha Casa, Minha Vida, de R$ 4.900, afirma o presidente do Sindicato da Habitação (Secovi-SP), João Crestana.
Em 2010, os lançamentos de imóveis de quatro dormitórios somaram 8,7% do total na cidade de São Paulo, quase um quarto dos 37% que representava três anos antes, segundo dados do Secovi. “Os lançamentos para as classes A e B são mais lucrativos, mas eles perderam espaço para a baixa renda depois do Minha Casa, Minha Vida. Neste ano, os projetos de empreendimentos com quatro dormitórios devem voltar”, diz Crestana.
Novo foco na fase 2
Na primeira fase do programa, o governo determinou que 60% de 1 milhão de unidades oferecidas entre maio de 2009 e dezembro de 2010 se enquadrasse nos projetos para famílias com renda entre três e dez salários mínimos. Mas, na segunda fase do projeto, que oferecerá 2 milhões de unidades em dois anos, a proporção é inversa: 60% para famílias de zero a três salários mínimos e 40% para as que recebem entre três e dez salários.
A maioria das construtoras não atende o primeiro segmento e concentra seus lançamentos para famílias com renda superior a três salários mínimos. É o caso das grandes empresas, como a Tenda, a MRV, a Cyrela e a Rossi
Assim, elas teriam que lançar, juntas, 600 mil unidades por mês para atender a meta do governo do Minha Casa, Minha Vida 1 para as famílias com renda superior a três salários mínimos. Na fase dois, esse volume cai para 200 mil. “As empresas podem colocar o pé no freio para se ajustar a esta nova meta”, diz Crestana.
Margens menores
Apesar de uma eventual desaceleração no volume de lançamentos, Crestana afirma que as empresas não abandonarão o segmento de imóveis populares. Há empresas, inclusive, que vão continuar a focar sua atividade neste segmento.
É o caso da Rossi, segundo o seu diretor regional de São Paulo, Rubens Júnior. Para ele, oferecer imóveis no segmento econômico requer um controle de custos e um ajuste bem feito nos preços. “O setor de baixa renda não admite erros. Qualquer cálculo mal feito pode abalar a lucratividade do projeto”, diz Rubens Júnior.
O diretor-superintendente da Direcional Engenharia concorda. “Não entramos neste segmento por oportunidade. É o nosso foco há 30 anos”, diz Senna.
(Colaborou Aline Cury Zampieri)
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O aumento expressivo do valor dos imóveis nos últimos três anos atingiu seu ponto máximo em 2010. Enquanto a inflação oficial (IPCA) subiu 5,25% entre janeiro e novembro, a elevação do preço médio do metro quadrado nos últimos 12 meses chegou a 27%, de acordo com dados divulgados nesta quarta-feira pelo Sindicato da Habitação (Secovi). A expectativa da entidade é que o descompasso não continuará em 2011 e que o mercado imobiliário terá uma acomodação dos preços, com variações próximas aos índices de inflação.
Uma guerra de preços entre construtoras e uma redução na velocidade de vendas nos lançamentos são os principais sintomas de que a valorização imobiliária atingiu o seu teto, afirma o presidente do Secovi, João Crestana. O sindicato captou esses sinais com base em pesquisas próprias e com dados de inteligência de mercado das empresas associadas. “É uma tendência que vemos em todas as regiões de São Paulo, que nos leva a crer que os preços vão se estabilizar”, diz. Os dados do mercado imobiliário paulista, medidos em parceria pelo Secovi e pela Embraesp, são o principal termômetro do segmento no país.
Imóveis de alto padrão na cidade de São Paulo
Neste cenário de estabilização de preços o investimento em imóveis não é recomendável. “Para aqueles que buscam o imóvel para especular a recomendação é não comprar e se concentrar no mercado de papéis, moedas e derivativos”, afirma o Secovi, em um relatório do balanço do mercado imobiliário na década. Mas, para aqueles que buscam um apartamento para morar ou alugar como complemento de renda, comprar um imóvel em 2011 ainda vale à pena, de acordo com o Secovi.
Balanço da década
A década que se encerrou em 2010 marcou uma retomada do mercado imobiliário no Brasil, principalmente nos últimos cinco anos.
A expansão do crédito, o controle da inflação e a abertura de capital de grandes construtoras permitiram que o volume médio de lançamentos residenciais na cidade de São Paulo pulasse de 24 mil unidades, em 2001, para a 34 mil, em 2010, de acordo com estimativas do Secovi. Até novembro, foram lançadas 30 mil residências no ano passado.
A retomada dos lançamentos não foi suficiente para atender a demanda reprimida, e, a consequência, foi uma escalada nos preços. A valorização expressiva chegou a trazer uma desconfiança de formação de uma bolha imobiliária, movimento negado pelas empresas do setor.
O que ninguém sabia no ano passado era até quando os preços iriam disparar. A resposta era simples: enquanto os valores couberem no bolso do comprador. Nos últimos três anos, o fôlego por imóveis parecia não ter fim e puxou uma alta de 66% nos preços, segundo levantamento feito pelo iGcom imobiliárias nas principais capitais brasileiras. A expectativa do Secovi é que o teto já foi atingido no ano passado e o consumidor não aceita um preço médio muito maior.
Para Crestana, os imóveis que devem continuar a ter uma valorização expressiva são as "aves raras", ou seja, apartamentos com localização privilegiada, onde há escassez de oferta.
Mudança de perfil
Em toda a década, o ano de 2010 foi o que trouxe um percentual mais baixo de lançamentos de apartamentos de quatro dormitórios ou mais – apenas 8,7%, de acordo com dados do Secovi. Esse segmento respondeu por, em média, 22,3% dos lançamentos no período e já chegou a representar 37% do setor. Agora, a maior fatia do mercado – 48% – está nas unidades de dois dormitórios, categoria que somava menos de 30% em 2006.
Os números mostram uma mudança de foco das incorporadoras. De olho na emergente classe C e com incentivos governamentais, como o programa Minha Casa, Minha Vida, elas passaram a ampliar a oferta de imóveis no segmento econômico – abaixo de R$ 150 mil. “A população de baixa renda é o grande mercado consumidor. Essa tendência deve continuar na próxima década”, afirma Celso Petrucci, economista-chefe do Secovi.
Segundo ele, existe uma demanda anual entre 10 mil a 15 mil unidades para alta renda na capital paulista, que dificilmente será expandida. Entre a população de baixa renda, o potencial é muito maior. Hoje, o deficit habitacional brasileiro ainda soma 7 milhões de moradias.
Desafios
Na década que se inicia em 2011, o setor imobiliário terá que encontrar novas formas de se capitalizar. Estimativas da Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip) apontam para um esgotamento dos recursos da poupança, principal fonte financeira dos financiamentos habitacionais, para atender a expansão do setor entre 2013 e 2014. A solução é a ampliação das operações de securitização, emissão de títulos lastreados em ativos imobiliários pelo setor privado.
A burocracia para liberação de financiamentos aos consumidores e para a aprovação de projetos de empreendimentos também é um entrave que permanece neste setor.
Com a crescente demanda e a facilidade de crédito, o país vive um boom imobiliário.
Em meio a tantos lançamentos, incorporadoras e construtoras têm a necessidade de diferenciação. Os profissionais de comunicação possuem a missão de inovar em um mercado cada vez mais competitivo, onde estratégias de marketing são decisivas na hora de conquistar o consumidor e gerar sucesso de vendas.
O objetivo é encantar o cliente e envolvê-lo através de inúmeros artifícios. Mailings, e-mails, telemarketing, convites, brindes, planfletos, maquetes, tours virtuais, modelos decorados, stand de vendas, mídia, promoções e eventos são algumas das ações utilizadas pelas agências para ganhar o cliente, seja pela razão ou apelo emocional. A criatividade é o limitador.
Uma campanha bem estrutura tem o poder de agregar valor a um produto não palpável (vendido na planta) e de elevado preço, sendo a imagem fundamental em um mercado que vende sonhos. E o marketing imobiliário brasileiro desenvolve muito bem este papel. Com uma comunicação criativa e agressiva, nos tornamos referência mundial no assunto.
Através das principais agências atuantes na indústria imobiliária, mostramos algumas iniciativas desenvolvidas pelo Brasil, a fim de oferecer informação e inspiração para novas ações. WPCriativa, Archote, Eugenio Marketing, Longplay Comunicação 360º, Cia da Comunicação, Allure Comunicação, Thai Comunicação, Oficina Interativa, entre outras empresas, apresentam suas principais estratégias, visões do mercado e cases de sucesso.
Para atender de modo diferenciado às demandas de um segmento em forte crescimento e oferecer as melhores soluções em comunicação e publicidade, a Agnelo Pacheco Comunicação formou um núcleo de inteligência dedicado ao setor imobiliário. Este grupo de excelência da agência é integrado por profissionais das áreas de atendimento, planejamento de marketing, criação publicitária e mídia, todos especializados no mercado de imóveis.
“Apesar de já possuir larga experiência e know how aprofundado em comunicação para o setor imobiliário, a Agnelo Pacheco decidiu reforçar seus diferenciais e criar esse núcleo de inteligência setorial para oferecer soluções originais, criativas e realmente eficientes às empresas desse mercado. É também uma resposta às expectativas a nós expressadas pelo setor, que busca contar com novas soluções em comunicação e propaganda. Está tudo muito igual na publicidade de imóveis, tudo numa grande mesmice. Nossa agência vai mudar isso, vai fazer a diferença”, afirma o publicitário Agnelo Pacheco, presidente e diretor nacional de criação da agência.
O núcleo de inteligência imobiliária está preparado para assessorar as empresas do ramo na concepção, elaboração e aplicação de planos de comunicação integrada para os lançamentos do setor, além de orientar os clientes na adoção das melhores estratégias, abordagens, soluções e modelagem de campanhas específicas para cada produto.
Para isso, contará com um extenso rol de experiências publicitárias acumuladas, produzirá pesquisas, reunirá informações detalhadas e atualizadas para apurar as tendências do mercado e adotar as melhores soluções customizadas de comunicação dedicadas aos lançamentos.
Os profissionais da Agnelo Pacheco, com sua visão multidisciplinar, poderão também oferecer sugestões para a adequação dos produtos imobiliários aos públicos-alvo, antes mesmo de seus lançamentos, sempre com o objetivo de garantir o melhor retorno em vendas e capitalização.
Segmento em ascensão
O setor imobiliário vive um dos seus melhores momentos históricos, com ótimas perspectivas para este e os próximos anos, principalmente pela conjugação de uma série de fatores, como o aumento do poder aquisitivo do brasileiro, a ascensão social percebida entre os integrantes das variadas faixas de renda de nossa população, a oferta abundante de crédito relativamente barato, a entrada no país de vultosos recursos internacionais investidos nesse mercado, os atuais incentivos governamentais para o desenvolvimento do setor, o crescimento agregado previsto para as cidades-sede que receberão os grandes eventos esportivos de 2014 (Copa do Mundo) e 2016 (Olimpíadas do Rio) e a forte demanda reprimida por imóveis, em razão de um elevado déficit habitacional.
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São Paulo - No Brasil, está na moda falar em classe C. O extrato da população que mais cresceu durante o governo Lula hoje já tem renda suficiente para interessar empresas de todos os segmentos. No setor financeiro, não é diferente. Os grandes bancos públicos e privados têm aumentado a competição por esses clientes com a oferta de novos produtos e serviços. Abaixo e nas próximas páginas, Eduardo Alvarez, superintendente executivo do segmento pessoa física do Santander, revela os hábitos dos clientes que ganham entre 1.200 e 4.000 reais e explica como o banco quer ganhar participação de mercado nesse segmento no Brasil:
Mais educação financeira
Nenhum banco está inteiramente preparado para lidar com a classe C. Trata-se de um volume muito grande de clientes, e é impossível dar um atendimento personalizado a todos eles. Outro problema é que a classe C não é um grupo de pessoas que possui educação financeira suficiente para tomar decisões de investimento ou que sabe escolher o crédito adequado a um propósito específico. São pessoas que, sem aconselhamento, correm um risco de se endividarem demais, por exemplo. A taxa de inadimplência da classe C é mais que o dobro da que observamos entre as pessoas mais ricas. Não estou dizendo que há mais malandros nesse extrato da população. Pelo contrário, acho que todos querem igualmente pagar suas dívidas. A classe tem uma taxa de inadimplência maior porque está menos acostumada a lidar com crédito, porque possui menor instrução financeira e porque o dinheiro que costuma sobrar no final do mês é mais curto.
Os bancos estão cientes de que precisam fazer sua parte na educação financeira dessas pessoas. O banco vai ter de fazer isso não apenas para se diferenciar e conquistar o cliente, mas também porque o cara que é desorganizado financeiramente um dia acaba gerando prejuízo. Há algum tempo, o banco achava que essa cara era o filé, é para ele que seria possível vender produtos com juros altos como o cheque especial e o crédito rotativo do cartão de crédito. Hoje os bancos já perceberam que esse cara não dá tanto dinheiro quanto parece. Pode até demorar, mas o cliente desorganizado financeiramente uma hora ou outra deixa de pagar o crédito que tomou. Então o banco tem que manter uma estrutura de cobrança cara, empregando pessoas que tenham como única função ir atrás desse dinheiro. Dívidas não-pagas sujam o balanço do banco. Para que alguém pouco organizado financeiramente consiga quitar uma dívida, muitas vezes é necessário oferecer descontos no saldo devedor. Então esse cara dá muito trabalho e gera menos ganhos do que parece. Hoje os bancos entendem que é melhor oferecer crédito na medida certa a clientes que paguem.
Mais ferramentas de crédito
O Brasil passa por um momento singular de expansão do crédito. É algo parecido com o que aconteceu na Espanha nas décadas de 80 e 90. O problema é que o crédito cresce no Brasil a uma velocidade duas vezes superior. Como leva tempo para que a população entenda como fazer um uso responsável do crédito, é necessário que sejam criados novos instrumentos para evitar o excesso de endividamento. A principal ferramenta seria o cadastro positivo, que aguarda votação do Congresso e poderia ajudar os bancos a calibrar o limite de crédito de cada cliente. Hoje o Santander empresta 10.000 reais a um correntista, mas não sabe se o mesmo consumidor já tomou 10.000 no Itaú e outros 10.000 no Bradesco. Nós não sabemos se o cliente está super endividado e não conseguimos fazer a correta avaliação de crédito.
Outra conclusão a que cheguei é que muitos brasileiros se endividam mal. Comparando com a realidade espanhola, dá para dizer que o brasileiro está muito endividado no crédito pessoal e toma muito pouco crédito para comprar imóveis. Fica claro que os empréstimos financiam um consumo de coisas menores. Essas pessoas têm condições de poupar para comprar esses mesmos bens e usar o crédito para realizar sonhos maiores.
Mais produtos e serviços
Como é impossível dar um atendimento personalizado a todos nossos clientes, vamos tentar melhorar a comunicação com a classe C de três formas. A primeira é desenvolver ferramentas e simuladores que estarão disponíveis em nosso site e que sirvam para mostrar para um correntista até que ponto é razoável se endividar com cada tipo de compra.
Também planejamos tornar os serviços oferecidos por nossos caixas eletrônicos mais simples e intuitivos. Hoje os caixas oferecem mais de 100 opções de serviços, mas quase sempre o cliente apenas saca dinheiro, verifica o saldo ou paga uma conta. Os demais produtos e serviços do banco estão escondidos atrás de nomes pouco inteligíveis. O banco precisa explicar melhor aos correntistas como pode ajudar cada um deles.
Por último, vamos lançar produtos voltados para a classe C. O Santander nunca se destacou nesse segmento porque os bancos que comprou, como o Banespa ou o Real, tinham como foco pessoas de renda um pouco mais elevada. Agora vamos mudar isso. Já lançamos um fundo de previdência privada que permite o aporte de 70 reais por mês. Temos desde março um fundo de renda fixa com aplicação inicial de 1.000 reais que cobra uma taxa de administração de 1,6% ao ano, menor que a da concorrência. O fundo cobra taxa de saída para resgates de até três anos, mas ainda assim é vantajoso para quem planeja investir no longo prazo.
As várias classes C
O grande problema de lidar com a classe C é que ela engloba diversos nichos diferentes de pessoas, desde universitários a aposentados. É por isso que pesquisas sobre os hábitos da classe C costumam apresentar resultados tão diferentes uma da outra. Quando a gente tenta entender os universitários e os jovens que acabaram de ingressar no mercado de trabalho, chegamos à conclusão que é gente que ainda ganha pouco porque está no início da carreira, mas que tende a progredir na vida.
São pessoas que vão atrás de informação e que podem se tornar extremamente exigentes com o banco. Eles querem respostas rápidas para suas dúvidas. Se não obtém uma resposta satisfatória, eles vão para as redes sociais e fazem reclamações explícitas contra o banco. Mesmo quando respondemos por e-mail qual é a área específica do banco que poderia cuidar de determinado assunto ou quando pedimos um prazo de 24 horas para encaminhar a solução acabam sendo mal-vistos.
Os jovens gostam de fazer tudo pela internet. Até mesmo a necessidade de entregar cópias de documentos e um contrato assinado numa agência para abrir a conta corrente é encarada como excesso de burocracia. Na área de crédito, os jovens ainda não conhecem todas as possibilidades existentes no mercado. Eles não sabem, por exemplo, que existem linhas de crédito com juros atrativos específicas para financiar a mensalidade da faculdade ou um MBA. No entanto, eles se interessam pelo assunto e querem conhecer mais.
Já na área de investimentos, os jovens são bastante agressivos. Eles adoram ações e já querem montar carteiras próprias com aplicações de 5.000 reais. Após muito pouco tempo de utilização do home broker, eles sentem que já são capazes de ganhar dinheiro no mercado. Só quando perdem dinheiro é que muitos voltam a se interessar por aplicações conservadoras ou decidem entregar a gestão do patrimônio a um profissional de finanças especializado.
Na outra ponta da classe C, estão os profissionais com mais de 50 anos de idade e os aposentados. São pessoas que não estão acostumadas a lidar com o internet banking nem com caixas eletrônicos e preferem ser atendidas nas agências. Aquele negócio de o aposentado sacar todo o benefício do INSS no dia do pagamento e sair com o bolo de dinheiro no bolso já está acabando. Ainda bem, porque isso é uma questão de segurança. Mas todos os meses, ainda sentimos o aumento do fluxo de pessoas nas agências no dia do pagamento dos benefícios.
Na área de investimentos, eu diria que 95% dos idosos preferem a caderneta de poupança. É algo que eles entendem como funciona e que não traz surpresas. Todos os meses, o patrimônio aumenta um pouquinho. Já na hora de tomar um empréstimo, o crédito consignado é o campeão. É muito fácil para o aposentado tomar dinheiro por meio dessa linha porque os bancos têm a garantia de recebimento das parcelas. Os juros do consignado são a metade do crédito pessoal.
Também é comum que outros integrantes da família se beneficiem dessa facilidade concedida ao aposentado. Ele toma o crédito consignado em seu nome e repassa o dinheiro ao parente para que o pagamento de juros seja reduzido. Em geral, os aposentados são ótimos pagadores. Se ele sabe que tem que pagar 200 reais por mês para o banco, já se programa para economizar essa quantia e arcar com a obrigação. São pessoas que, além de organizadas, sabem da implicância de ficar com o nome sujo.
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O Grupo Thá, constituído por incorporadora, engenharia e imobiliária, possui 115 anos de tradição e cerca de 6 milhões de metros quadrados construídos. Desde 1895, ano em que o visionário imigrante italiano Maurizio Thá fundou a empresa, o Grupo é responsável pela construção de palacetes residenciais, considerados marcos de ciclos econômicos da região, como os da erva-mate e do pinho, além de inúmeras edificações que hoje compõem o cenário da capital.
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O mercado imobiliário de luxo no Brasil está em franco crescimento. Não se trata de um ritmo igual aos dos empreendimentos voltados para a classe C, que recebem incentivos do governo federal, mas atrai as incorporadoras pela alta rentabilidade. Elbio Fernandéz Mera, proprietário da imobiliária Fernandéz Mera e vice-presidente de comercialização do Sindicato das Empresas de Compra, Venda, Locação e Administração de Imóveis Comerciais de São Paulo ( Secovi São Paulo), afirma que os próximos anos serão de crescimento para o segmento. "Nos últimos anos, as incorporadoras estiveram muito focadas em prédios mais simples, com apartamentos menores. Agora estamos vendo uma demanda enorme por imóveis de luxo", afirma.
Segundo a Empresa Brasileira de Estudos de Patrimônio (Embraesp), de 2006 até março deste ano, foram lançados 13 empreendimentos de luxo na cidade de São Paulo. O número pode parecer pequeno, mas o movimento gerado por eles, é grande. "Foram apenas 481 unidades de alto luxo lançadas desde 2006 na capital paulista. Apesar disso, os empreendimentos renderam para as construtoras R$ 2,75 bilhões", afirma Luiz Paulo Pompéia, diretor de pesquisas da consultoria. "Consideramos de luxo imóveis com valor acima de R$ 4 milhões. Já o alto padrão são aqueles empreendimentos a partir de R$ 500 mil. Os dois segmentos apresentam uma demanda constante".
Em São Paulo, o metro quadrado mais caros entre estes imóveis é de um apartamento no bairro do Itaim Bibi, zona sul da cidade, que chega a R$19 mil. O luxo não se restringe aos acabamentos e ao espaço de cada imóvel, que chega a ter mais de mil metros quadrados. Djean Cruz, diretor regional de Odebrecht Realizações, afirma que um dos empreendimentos da construtora em Salvador oferece um teleférico que transporta os moradores ao píer próximo ao prédio, onde eles podem embarcar e desembarcar de seus barcos. "Estes detalhes fazem a diferença. É preciso saber que tipo de luxo pode ser funcional aos moradores", diz Cruz, ressaltando que há oportunidades para imóveis de luxo e alto padrão em todo o país.
A única ressalva que Cruz faz é da diferença de valorização das residências no Nordeste em comparação com o Sudeste. "Os imóveis que nós vendemos em Salvador ou Recife valem cerca de R$ 4 milhões, mas não valeriam menos de R$ 8 milhões se estivessem em São Paulo, por exemplo", afirma o executivo.
Maior mercado
A capital paulista atrai não apenas investimentos altos, mas também nomes que diferenciam os empreendimentos. Daniel Libeskind, arquiteto americano responsável pelo projeto que irá substituir as torres gêmeas destruídas no ataque terrorista de 11 de setembro de 2001 em Nova York, foi contratado pela construtora JHSF para projetar o edifício Vitra. Com 14 apartamentos, com plantas exclusivas e tamanhos que variam entre 565 metros quadrados e 1.145 metros quadrados, ele tem atualmente a cobertura mais cara da cidade. O preço de R$ 22 milhões, segundo Pompéia, atrai uma fatia de público que busca mais segurança. "O consumidor desses empreendimentos são visados pelo seu poder aquisitivo. Está cada vez mais difícil morar em casa quando se leva em consideração a questão da segurança” diz Pompéia.
São Paulo ainda é a cidade com o maior número de empreendimentos no segmento imobiliário de luxo, mas Cruz afirma que algumas regiões atraem cada vez mais investimentos dentro deste segmento. "Em Pernambuco, vivemos um momento de expansão. Com o Porto de Suape, estamos investindo na região que terá bairros inteiros projetados. É preciso atender os empresários que estão se instalando por lá."
Há opções em bairros não tradicionais
Os apartamentos de luxo em São Paulo são encontrados especialmente em bairros como Morumbi, Higienópolis, Moema, Jardins e Itaim Bibi. Mas Luiz Paulo Pompéia, diretor de pesquisas da Empresa Brasileira de Estudos de Patrimônio (Embraesp), afirma que novas regiões próximas a capital paulista começam a se tornar referência no segmento. "O empreendimento mais caro fora de São Paulo é a Fazenda Boa Vista, da JHSF, que oferece, por exemplo, a opção de flats administrados pelo hotel Fasano", diz.

Os interessados em alugar as casas da Fazenda Boa Vista pagarão R$ 2 milhões por mês pelo serviço. O local é o único empreendimento no Brasil com dois campos de golfe de 18 buracos cada. "Estas iniciativas mostram como o mercado tem, sim, uma demanda e que está crescendo para outros locais, fugindo do caos das grandes cidades", afirma Pompéia. A Granja Viana, em Cotia, na Grande São Paulo, também aparece como opção aos bairros saturados da capital.
Novos bairros
Com o aumento da procura por apartamentos de altíssimo padrão, bairros que tradicionalmente não eram referência para imóveis de luxo vêm ganhando espaço neste segmento. Na capital paulista, a zona leste é um exemplo de região que recebe cada vez mais esses empreendimentos. Elbio Fernandéz Mera, vice-presidente de comercialização do Sindicato das Empresas de Compra, Venda, Locação e Administração de Imóveis Comerciais de São Paulo (Secovi-SP) e proprietário da imobiliária Fernandéz Mera, explica que são apartamentos de alto padrão, mas que não chegam ainda a alcançar o custo médio de R$ 19 mil pelo metro quadrado como ocorre em imóveis de luxo localizados de outras áreas.
"Encontramos apartamentos em bairros como a Chácara Klabin e o Jardim Anália Franco, que não são tradicionais em imóveis de alto padrão, onde o metro quadrado parte de R$ 11 mil." Estes apartamentos se diferenciam dos de luxo, com metragens até mil metros quadrados e valores partindo dos R$ 4 milhões. Segundo Mera, os imóveis de alto padrão em regiões nobres da zona leste oferecem um produto a um cliente que busca sofisticação e conforto, mas quer, por exemplo, ficar perto da família. " Esses bairros são antigos e tradicionais, e vemos constantemente as mulheres querendo morar perto dos pais delas. Isso está obrigando as construtoras a apostar em locais que ainda não são referência no mercado de luxo."
Financiamentos para o público de alto poder aquisitivo anima bancos
Imobiliárias dedicadas ao mercado de luxo têm feito parcerias com bancos para oferecer aos seus clientes a possibilidade de financiar suas novas propriedades. A Sotheby’s, por exemplo, firmou, no ano passado, acordo com o HSBC cuja meta é atingir um volume de crédito equivalente a R$ 1,5 bilhão, em quatro anos. "Já tínhamos feito uma parceria com o Santander em 2009, com validade de um ano, mas, por discordâncias da diretoria, preferimos fazer um contrato mais ousado com o HSBC", diz Celso Pinto, diretor da Sotheby’s Internacional Realty Brasil São Paulo. Depois do divórcio, o Santander também buscou nova parceria, a Century 21 Exclusive. Definitivamente, não é por falta de dinheiro que esses compradores decidem pelo financiamento. Segundo o executivo, muitos deles preferem dividir o valor do imóvel para não precisar mexer nas suas aplicações ou vender ativos. "Se o cliente possui uma aplicação que rende 15% ao ano, pode ser mais vantajoso mantê-la e parcelar o imóvel do que se desfazer desses recursos", afirma Pinto. O executivo diz ainda que há clientes que alugam o escritório novo ou a mais recente casa de praia para pagar as prestações. “Em Trancoso, temos um imóvel que, se alugado no verão, quita as parcelas de todo o ano”.
No caso do acordo entre Santander e Century 21 Premier, o superintendente de negócios imobiliários do banco, Fabrizio Ianelli, explica que um consultor do Santander fica disponível nas franqueadas da imobiliária para mostrar que pode ser vantajoso ao cliente, mesmo com recursos disponiveis, financiar a compra.
“Se ele for empresário, mostramos que compensa aplicar o dinheiro na própria empresa, que pode ter um retorno anual maior que a taxa de juros do emprestimo, que é de mais ou menos 11&”, diz.
A Century 21 Premier tem exclusividade na venda do condomínio Terras de São José II, em Itu (SP), com imóveis entre R$3 milhões e R$6 milhões. Segundo Ianelli, as condições são similares às encontradas nas agências, com financiamento de até 80% do valor do imóvel. Porém, para o público de alta renda é dado prioridade maior para o atendimento e agilidade da operação. “Chegamos a fazer um financiamento de R$10 milhões.”
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